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ISIS, Oriente Médio e Brasil

Enquanto o mundo se volta para o emergente Brasil nesta segunda edição da Copa do Mundo no país, uma sombra de dúvidas e ameaças paira sobre o Oriente Médio.

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A mídia, fazendo seu corriqueiro papel de filtrar notícias que enfraqueçam a imagem consolidada da ideologia ocidental, não nos inteirou de alguns fatos importantes ocorridos no Iraque. O governo de fachada imposto pelos EUA que garantiu combustível mais barato por alguns anos, mas não conseguiu consolidar o poder no país. A guerra iniciada por Bush em 2003, sob falsos pretextos, foi paulatinamente retirada de lá pelo governo Obama a partir de 2011, mas não mudou o objetivo de assegurar uma “democracia” no país para manter seus interesses em relevância.

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Hoje, o Iraque é dominado pelo ISIS, Estado Islâmico do Iraque e Síria. A cidade de Tikrit, rica em petróleo, já foi tomada e os militantes dirigem-se pà Bagdá, capital do Iraque. Os soldados iraquianos apoiados pelos EUA aparentemente não tiveram força nem motivação para rechaçar a ameaça e por isso deixaram armas e equipamentos enquanto fugiam dos ataques do ISIS, como reportado pelo DailyMail:

…30.000 soldados fugiram, deixando para trás tanques e armas de fogo quando apenas 800 militantes se aproximavam. Em menos de 24 horas, a cidade petrolífera de Tikrit foi capturada pelos militantes, que então mudaram a atenção para a capital enquanto continuam com sua campanha para derrubar o governo apoiado pelo ocidente, parte do plano de criar um emirado Islâmico abrangendo ambos os lados da fronteira do Iraque e Síria.

 

Por que isto seria relevante para nós que moramos tão longe

Para começar, não somos autossuficientes quanto ao petróleo, que é largamente exportado, enquanto também importamos para nos abastecer. Sem mudar drasticamente o rumo do raciocínio, o Brasil exporta mais petróleo do que importa, segundo dados de 2012. Importamos muito petróleo, mas não só dos EUA, também de países Árabes e do Oriente Médio, incluindo o Iraque. Sempre que um de nossos fornecedores entra em crise por algum motivo, o preço fica sujeito a aumentos que influenciam no preço da cesta básica, por exemplo.

Nosso modo de produção é refém da especulação petrolífera que gera muitas guerras em todo o mundo, sem contar que a indústria bélica também é bastante lucrativa. Somos reféns do neoliberalismo de forma a estarmos estagnados como escravos não declarados na base piramidal com um cume manipulador e inescrupuloso. Vários levantes pelo mundo tem expressado um sentimento cada vez mais aflorado que existe algo de errado acontecendo, as pessoas sentem-se oprimidas e, apesar de uma campanha massiva para que aceitemos nossa tão recente e frágil cultura pós-moderna, existe um engasgo na população mundial, um descontentamento crescente.

Ao assistir o vídeo de Jaman, um inglês de 23 anos, criado e formado em Londres que viajou para a Síria para combater seus adversários em uma Jihad declarada, percebo os cortes propositais no discurso do jovem para modelar a entrevista cada vez mais em prol de uma mensagem midiática manipulativa. Jaman afirma que o grupo, ao contrário do que foi espalhado pela mídia, não mata arbitrariamente, mas ajuda a reconstruir casas, provê segurança e alimentação entre a população. Resta perguntar qual população e os verdadeiros interesses do grupo que usa armas para combater seus inimigos e derramar mais sangue nestas terras amaldiçoadas com petróleo.

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vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=BPTSw-cC4UQ